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O telhado da sua empresa comporta a usina? O que a visita técnica precisa olhar

Peso, tipo e idade da telha, sombreamento e área realmente utilizável. Os pontos que definem se o sistema da sua empresa vai para o telhado ou para o solo.

Erik Guilherme

Por Erik Guilherme

Eng. Civil · CEO G2 Engenharia

Quando uma empresa decide instalar energia solar, a primeira pergunta costuma ser sobre o tamanho do sistema. Mas antes disso existe uma pergunta mais básica: onde ele vai ficar. Na maioria dos projetos comerciais no RN a resposta é o telhado — e o telhado tem limites que nem sempre aparecem numa proposta feita por foto de satélite.

A visita técnica existe para isso. Ela não é formalidade nem cortesia comercial. É o momento em que se descobre se o galpão, a loja ou o prédio administrativo realmente comporta a usina que foi desenhada no papel.

Peso não é o único esforço na estrutura

Módulos e estrutura de fixação somam carga permanente à cobertura. Em telhados metálicos de vão grande, comuns em galpão industrial, essa carga precisa ser comparada com o que a estrutura foi projetada para suportar. Em fibrocimento, o ponto crítico costuma ser a terça e o apoio, não a telha em si.

E tem o vento. No litoral e nas áreas abertas do interior do RN, o esforço de sucção sobre os módulos é um dado de projeto, não um detalhe. A fixação precisa considerar isso. Estrutura subdimensionada não falha no dia da instalação — falha na primeira rajada forte depois que ninguém está mais olhando.

A idade da cobertura muda a ordem das coisas

Uma usina solar fica no telhado por muitos anos. Se a cobertura já está no fim da vida útil, com telha trincada, parafuso corroído ou infiltração conhecida, instalar por cima é adiar um problema e encarecer a solução. Trocar telha embaixo de um sistema já montado significa desmontar, guardar, trocar e remontar.

Em região de maresia isso pesa mais. Fixação, parafusos e a própria telha metálica envelhecem mais rápido perto do mar. Vale decidir com franqueza: reformar a cobertura antes, ou levar o sistema para outro lugar.

Área total não é área útil

Um telhado de mil metros quadrados não oferece mil metros quadrados para módulos. O que sobra depende de:

  • Orientação e inclinação de cada água do telhado
  • Sombreamento de caixa d'água, casa de máquinas, chaminé, prédio vizinho e antena
  • Exaustores, domus, claraboias e tubulação que ocupam pano de telha
  • Faixas de circulação para manutenção e limpeza segura
  • Afastamentos exigidos por norma de segurança contra incêndio
  • Distância até o quadro geral e o padrão de entrada

Esse último item é o mais esquecido. Quanto mais longe o telhado disponível está do ponto de conexão, maior o custo de cabeamento e infraestrutura. Duas empresas com a mesma potência instalada podem ter custos bem diferentes só por causa disso.

Quando o telhado não é o melhor lugar

Nem todo projeto termina na cobertura. Empresa com pátio, terreno ao lado ou estacionamento pode ganhar mais colocando o sistema no solo ou em estrutura de cobertura de vagas. No solo, a manutenção é mais simples, a limpeza é mais barata e a orientação dos módulos é escolhida, não herdada do telhado. Em compensação, ocupa área que pode ter outro uso e exige preparo de terreno e cercamento.

A decisão não é ideológica. É comparação entre o que cada opção custa, quanto gera e o que atrapalha na operação da empresa. Um projeto honesto apresenta essa comparação em vez de empurrar o telhado porque é o padrão.

O que pedir para quem for fazer a proposta

Peça o registro da visita técnica: fotos da cobertura, identificação do tipo de telha e da estrutura, mapa de sombreamento e o layout dos módulos sobre a planta real do telhado. Peça também quem assina o projeto elétrico e a avaliação estrutural. Proposta que chega só com potência e preço, sem ninguém ter subido no telhado, está estimando — e a conta da estimativa errada aparece depois, na obra.

Se a sua empresa está avaliando energia solar e ainda não sabe o que o telhado aceita, fale com a G2 pelo WhatsApp. A gente vai até o local, olha a estrutura e explica as opções com base no que existe aí, não no que caberia num telhado ideal.

Fontes

Canal Solar, matéria sobre as exigências da ABNT NBR 17193:2025 para sistemas fotovoltaicos em edificações (junho de 2025). O Setor Elétrico, artigo sobre a NBR 16690 — requisitos de projeto de arranjos fotovoltaicos — e sua revisão (maio de 2025).

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