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Geração distribuída no RN: 1.064 MW instalados e o que os números da ANEEL mostram

O Rio Grande do Norte aparece em 16º no ranking nacional de potência instalada em geração distribuída, segundo os dados abertos da ANEEL. Veja a evolução ano a ano desde 2015 e onde a demanda está concentrada.

Erik Guilherme

Por Erik Guilherme

Eng. Civil · CEO G2 Engenharia

Os dados abertos da ANEEL sobre geração distribuída são públicos e permitem enxergar o mercado sem depender de estimativa de ninguém. Na base atualizada em 17 de agosto de 2026, o Rio Grande do Norte soma 1.064,3 MW de potência instalada, distribuídos em 124.096 empreendimentos. Isso coloca o estado na 16ª posição entre as 27 unidades federativas.

Antes de avançar, uma ressalva metodológica honesta: o histórico ano a ano usa o campo de última atualização cadastral do empreendimento (DthAtualizaCadastralEmpreend). Na prática, esse campo costuma coincidir com a entrada em operação, mas o dicionário de dados da ANEEL não garante isso. Então leia os números anuais como ritmo do mercado, não como data exata de conexão de cada sistema.

16º lugar com muito sistema pequeno

A posição no ranking diz menos do que parece quando lida isolada. O RN é um estado de porte médio em população e em consumo industrial, e disputa a tabela com Minas, São Paulo, Rio Grande do Sul e Paraná, que têm outra escala de economia. Mais interessante é a razão entre potência e número de empreendimentos: 1.064,3 MW em 124.096 unidades dá uma média em torno de 8,6 kW por empreendimento. Ou seja, o mercado potiguar é feito principalmente de sistemas pequenos — residências, comércios e pequenas empresas —, não de poucos projetos grandes puxando o total.

Para quem vende energia ou avalia investimento, isso importa. Um mercado pulverizado indica adoção capilar, com espaço ainda aberto em consumidores de porte maior.

A evolução desde 2015: crescimento em degraus

Em 2015, o estado registrou 0,4 MW no ano. Foi 1,28 MW em 2016, 3,73 MW em 2017, 8,13 MW em 2018 e 21,69 MW em 2019. A partir de 2020 o salto é claro: 46,43 MW naquele ano, 102,13 MW em 2021 e 163,44 MW em 2022.

Depois veio 2023 com 158,45 MW — uma leve queda em relação ao ano anterior, o único recuo da série recente. É o período que coincide com a transição regulatória da Lei 14.300 e com o ajuste do mercado a ela. Passado esse respiro, o crescimento voltou: 212,25 MW em 2024 e 264,24 MW em 2025, o maior ano da série. Em 2026, até a atualização de agosto, já são 82,1 MW.

O que a curva mostra é um mercado que não é bolha nem moda passageira. São mais de dez anos de crescimento sustentado, com uma única correção pontual, num setor que já passou por mudança de regra e continuou avançando.

Onde a demanda está concentrada

A distribuição por município ajuda a entender o mapa da demanda:

  • Natal: 189,47 MW
  • Mossoró: 158,28 MW
  • Parnamirim: 91,95 MW
  • Caicó: 36,8 MW
  • Macaíba: 26,84 MW

Somados, esses cinco municípios respondem por pouco mais de 500 MW — quase metade de toda a potência instalada no estado. Natal e Parnamirim puxam pela região metropolitana. Mossoró aparece com força praticamente equivalente à da capital, o que reflete o peso do agronegócio irrigado, do comércio e da indústria no Oeste potiguar. Caicó mostra o mesmo movimento no Seridó.

A leitura para o resto do estado é a mais interessante: mais da metade da potência está espalhada fora desses cinco municípios, mas em pedaços pequenos. Há muito consumidor comercial e rural em cidades médias que ainda não migrou. É onde o mercado tem mais espaço para crescer nos próximos anos.

O que fazer com esses números

Se você é empresa, o dado relevante é que a adoção já é consolidada aqui — não se trata de testar tecnologia nova, e sim de dimensionar direito para o seu perfil de consumo. Se você olha usina como investimento, a série anual e a concentração geográfica ajudam a avaliar demanda por energia contratada e onde estão os consumidores.

A G2 Engenharia trabalha só no Rio Grande do Norte, com projeto para empresas e para investidores em usina de locação. Fale com a gente pelo WhatsApp ou pelo contato do site para analisarmos o seu caso com dados do seu consumo, não com média de mercado.

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