G2 EngenhariaG2 EngenhariaFalar com a G2
← Blog
Legislação3 min de leitura

Fio B sobe para 75% em 2027: o que muda na conta da empresa e na usina de locação

O cronograma da Lei 14.300 avança mais um degrau em janeiro. Entenda sobre o que o Fio B incide, quem está fora da cobrança e por que o impacto é diferente em telhado de empresa e em usina de locação.

Erik Guilherme

Por Erik Guilherme

Eng. Civil · CEO G2 Engenharia

Em 2026, quem tem geração distribuída conectada depois de janeiro de 2023 paga 60% do Fio B sobre a energia que injeta na rede e compensa depois. Em janeiro de 2027 esse percentual vai para 75%. É o cronograma do artigo 27 da Lei 14.300, que começou em 15% em 2023 e segue até 90% em 2028. Não é novidade nem mudança de regra — é um degrau já previsto em lei. Mas ele muda a conta de quem está decidindo um projeto agora.

O Fio B não incide sobre tudo que você gera

Esse é o ponto que mais gera confusão. O Fio B é a parcela da TUSD que remunera a rede de distribuição: postes, cabos, transformadores, operação e manutenção. A cobrança da Lei 14.300 recai apenas sobre a energia que sai do seu sistema, vai para a rede e volta depois como crédito. A energia gerada e consumida na hora, dentro da própria unidade, não passa pela rede da distribuidora e fica fora da cobrança.

A consequência prática é direta: quanto maior o seu consumo simultâneo à geração, menor o efeito do Fio B. Uma empresa que opera de dia — comércio, indústria, serviço com carga em horário comercial — consome boa parte do que gera no mesmo instante. Um galpão que só liga máquina à noite injeta quase tudo e sente o degrau inteiro.

O cronograma, em uma linha só

  • 2025: 45% do Fio B sobre a energia injetada e compensada
  • 2026: 60%
  • 2027: 75%
  • 2028: 90%
  • A partir de 2029: regra definitiva, que cabe à ANEEL regulamentar
  • Sistemas com solicitação de acesso protocolada até 6 de janeiro de 2023 (GD I): fora dessa cobrança, até 2045

Sobre 2029 vale a honestidade: a lei delegou à ANEEL a definição das regras tarifárias que valem dali em diante, depois do chamado encontro de contas entre custos e benefícios da geração distribuída. Qualquer número apresentado hoje para 2029 é estimativa, não regra publicada. Desconfie de projeção que trata esse ano como se já estivesse definido.

Por que o impacto é maior na usina de locação

Numa usina de autoconsumo remoto, praticamente toda a energia gerada é injetada na rede e compensada em outra unidade. Não existe consumo simultâneo para amortecer. Ou seja: o degrau do Fio B atinge o volume cheio da geração, e ele cresce todo mês de janeiro até 2028.

Isso não inviabiliza o investimento — mas muda o que você precisa exigir de uma proposta. Pergunte com qual percentual de Fio B a projeção foi feita e se ela considera os degraus dos anos seguintes ou congela o percentual atual pelo contrato inteiro. Uma projeção montada com o número de hoje aplicado por vinte anos superestima a receita, e o erro aparece aos poucos.

No contrato de locação, vale olhar quem absorve o efeito. Se o desconto prometido ao locatário é calculado sobre a tarifa cheia da concessionária, a elevação do Fio B pode comprimir a margem de um lado só. Deixar isso escrito é mais barato do que descobrir na renovação.

O que fazer com essa informação

Para empresa de telhado: avaliar o perfil de consumo ao longo do dia antes de dimensionar. Projeto desenhado para maximizar injeção e projeto desenhado para maximizar consumo simultâneo não são o mesmo projeto, e a diferença entre eles cresce a cada degrau do cronograma.

Para investidor: pedir a memória de cálculo. Tarifa considerada, percentual de Fio B por ano, degradação dos módulos e custos de operação. Com premissa aberta dá para discutir; sem ela, não dá.

Se você quer entender como o Fio B entra na conta do seu caso específico — telhado comercial ou usina de locação no RN —, fale com a G2 pelo WhatsApp. A gente abre as premissas do cálculo com você, sem promessa redonda.

Fontes

  • Lei nº 14.300/2022, artigo 27 (Marco Legal da Geração Distribuída)
  • pv magazine Brasil — reportagem sobre o Fio B a 60% em 2026, publicada em 06/01/2026
  • Canal Solar — matéria sobre tarifação do Fio B e a delegação à ANEEL para as regras a partir de 2029
  • EDP — material explicativo sobre tarifação do Fio B e regras de transição
WhatsAppLinkedIn

Quer conversar sobre o seu caso?

A G2 Engenharia analisa seu consumo e apresenta o dimensionamento com as premissas abertas.